quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Projeto e Estrutura



A representação da ecologia pelo jardim de Burle Marx é parte integrante da área de exposições ao ar livre idealizado pelo Arquiteto pelo fato do jardim ser o Museu. Para não se tornar uma construção convencional com recuos laterais, frente e fundos e analisando as condições topográficas do terreno, o Paulo Mendes da Rocha definiu um Museu semi-subterrâneo aproveitando o desnível e a construção aflora na entrada pela rua Alemanha. Essa solução auxilia a acústica e térmica da área enterrada. A solução para a proteção da área externa foi uma grande e perfeita horizontal, perpendicular a avenida Europa. A altura tem referências á escala das esculturas e escala humana de 2,30m – o que faz com que a pessoa não se sinta “uma miniatura” e sim seja tomado e faça parte do espaço.
Há o corte que dá a idéia de espaço contínuo. Se o corte é o rebatimento do terreno e se a planta é o rebatimento do lote, o resultado é que retira o lote de sua condição de mero recorte no mapa urbano, ao restituir o corpo do terreno. A extensa viga que atravessa solta o projeto, sem função estrutural, sustenta o que está em baixo, a superfície construída, e mantém uma tensão, entre a memória plana do antigo terreno e a sua nova forma. Essa grande viga protendida foi criada, porque a intenção do arquiteto era colocar uma pedra no céu, como as pedras de Stonehenge.
Ao nível da grande praça, a extensa linha da laje (60mx20m), muito baixa como que comprime sob ela o seu negativo, uma faixa vazia. A proporção quase 1:1 entre a altura da viga e o pé direito (2m x 2,5m) produz, assim, uma espécie de compressão do olhar em direção ao piso, que nos leva a descer, pouco a pouco, até o interior do museu. Percebe-se nesse momento que a dimensão do grande pilar (4mx12m) faz dessa marquise a medida horizontal e vertical do terreno, ou seja, uma coordenada cartesiana. É por isso que não se pode entendê-la.
O projeto destrói, assim, a primeira impressão, a de uma superfície estática sobre a qual um objeto vem pousar.
Na cota mais baixa do terreno, a praça de entrada revestida com um mosaico branco é uma mancha clara a dissolver a gravidade da massa de concreto que desce verticalmente sobre ela. De seu lado, na cota mais alta, a lâmina d’água no ângulo extremo do lote não espelha nada, é antes uma reverberação de luz que parece agora vir de baixo para cima, como a recortar um vazio no piso da praça superior. Vista da esquina, ao nível da rua, dela somente resta uma pequena luminosidade sobre a empena opaca do concreto, uma imagem fluida da memória horizontal do terreno. A antiga superfície está assim presente e ausente ao mesmo tempo.
A ecologia do jardim de Burle Marx não é apenas um jardim do Museu, mas parte integrante da área de exposições ao ar livre idealizado pelo Arquiteto Paulo Mendes da Rocha pelo simples fato do jardim ser o Museu.

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