quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Leitura do olhar sobre o espaço público


Um espaço público é, em princípio, um espaço onde todos podem usufruir. O MUBE é um espaço em que a arte é não apenas o tema, mas o veículo a transmitir uma comunicação da qual pretende-se que possa vir a ser compreendida por todos e, portanto, acessível ou à disposição de todos. Ao refletir sobre quem são esse “todos”, faz-se necessário abordar o espaço público na discussão da esfera pública.
Habermas, ao pensar a dimensão da esfera pública, considera que sua origem está na reunião burguesa de indivíduos livres e privados.

A esfera pública neste sentido é plural, constituída por espaços de compreensão de pessoas – a literatura, a cultura, a conversação, a política, a cidade. Esses espaços tornados públicos passam a ser palco do raciocínio público provindo das subjetividades da sociedade, que por meio da argumentação de idéias, estabelecem um contato social que pretende a manutenção de seus interesses e o entendimento desta mesma esfera pública: vários deles são espaços culturais que, por si, tem como objeto final a cultura – aqui já assumindo forma de mercadoria – e sua discussão a partir das quais o público entende a si mesmo (SPERLING, 2001).


Isto é, somente quando indivíduos livres conseguem estabelecer um contato em que suas idéias são compartilhadas, independente do Estado, constitui-se uma esfera pública. O MUBE, como um museu a valorizar e assegurar um espaço para a arte, é expressão da esfera pública. Principalmente, ao refletir sobre a construção a partir da mobilização de moradores do bairro contra a privatização do espaço público pela construção de por um shopping center.
Nesse sentido, é importante para este trabalho a noção dos espaços culturais como lugares de efetivação de uma esfera pública, já que ao comportar espaço para veiculação da arte e da cultura esses espaços agregam a possibilidade de permitir a expressão da autonomia de indivíduos privados que pensam, discutem e emitem uma opinião pública.
Assim, a acessibilidade da arte a todos e o não cerceamento do público é fator de emancipação social. Ao se tornar acessível publicamente, a arte possibilita seu próprio questionamento e o questionamento das condições do próprio público. Todos devem poder participar. Ao se efetivarem como espaços públicos, os espaços culturais passam a valorizar o julgamento do leigo em detrimento de um grupo de especialistas do conhecimento artístico, que por isso também se destacam socialmente; ao reconhecer a autoridade do argumento, a discussão sobre a arte torna-se meio da sua apropriação. O museu torna-se instrumento de emancipação da sociedade tanto em sua dimensão crítica quanto em sua dimensão ativa quando possibilita que a liberdade das discussões seja concretizada.

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